Lio
Nascida em Mangualde, Portugal, em 1962 e criada em Bruxelas, Lio insere‑se já no final dos anos 1970 na vaga do pop francófono com um repertório à primeira vista leve, mas marcado pela influência new wave e por sonoridades sintéticas. Apoiando‑se nas produções de Marc Moulin e Dan Lacksman, a cantora impôs‑se com os seus primeiros singles “Le Banana Split” e “Amoureux solitaires”, que definiram o tom de um pop urbano, rítmico e muito melódico. O seu primeiro álbum “Lio” (1980) fixou esta mistura de chanson française, bubblegum pop e estética electro‑pop, antes de “Amour toujours” em 1983 e “Pop model” em 1986 prolongarem essa veia com um som mais afirmado, alimentado pelas colaborações com o letrista Jacques Duvall e pela sua proximidade à cena pop francesa dos anos 1980. Paralelamente à carreira de cantora, Lio desenvolveu uma atividade regular como atriz no cinema e na televisão, assim como um papel de jurada em programas musicais, o que manteve a sua presença mediática. As décadas de 1990 e 2000 viram‑na explorar uma canção mais adulta, trabalhando nomeadamente com Étienne Daho em “Des fleurs pour un caméléon” (1991) e alternando projetos de estúdio com formatos mais intimistas. Instalada entre França e Bélgica, Lio regressou em 2018 com “Lio canta Caymmi”, álbum em português dedicado ao repertório de Dorival Caymmi, que sublinha a importância da sua herança lusófona e uma orientação mais próxima da bossa e da canção acústica, enquanto prolonga um percurso onde coexistem o pop francófono, a cultura popular e referências cinematográficas.
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